quarta-feira, 9 de julho de 2008

Flagelo


Tá cedo. Acordei, trabalhei, falei, descansei, saí de casa. Peguei o ônibus, sonhei, peguei o metrô, saí do metrô, caminhei. Tomei um drink. Pulei os arcos da Lapa, olhei pra trás e ri. O boêmio me saudou, tomei um chopp com ele, preto como só era e muito doce. Desci a rua. Fui assaltado. Esbarrei num pivete, paguei um lanche pra ele. Fumei um cigarro, dois, trinta. Tomei um porre. Empurrei um travesti. Comi algo gorduroso, vi o sol saltar os arcos como eu fiz. Ficou de dia. Dormi. Acordei sem nada. Minha cabeça explodiu. Cocei meu corpo cheio de mato. Mijei na parede pintada de praia. Várias vezes. Vi o sol ir embora. Saí do metrô de novo. Tomei outro porre, puxei o braço da menina carioca. Beijei, apertei, passei a língua no piercing do canto da boca. Acordei sem nada de novo. Sujei a roupa mas lavei a alma.

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