quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Caos



Nas mãos de Sammy, uma caixinha. Ele amava sua namorada profundamente e durante dois anos e meio, sempre que estava com ela, seu coração palpitava como da primeira vez. Enfim ele a pediria em casamento. O romantismo era parte integral de sua alma, portanto o pedido seria realmente especial. Se acontecesse. Este provavelmente seria o dia mais feliz de suas vidas, se um andaime não tivesse desabado do décimo primeiro andar de um edifício, caindo na calçada e ceifando a vida do rapaz.


... Por quê?


Este é o dilema que, provavelmente, carregarei comigo até o fim dos meus dias. Pessoas vivem imaginando quais seriam os motivos para tudo e procurando explicações plausíveis para o inexplicável. A resposta pode ser nefasta demais. As pessoas procuram nas crenças a expectativa de uma vida não tão vazia. Uma vida onde alguém onipotente olha por nós, e se algo ruim acontece, foi ato de sua sábia vontade. Esse conceito nos coloca numa situação de conforto e segurança, pois sabemos que nossas vidas estão nas mãos de uma sábia figura paterna que nos ama e possui um plano divino para todos nós.
Pessoas morrem pelas mais variadas e estúpidas razões, apenas por estarem no local errado e na hora errada. Uma variação grotesca de azar que arranca sonhos sem previsão. Qual a força do acaso? Até onde Deus interfere? E se Deus estiver no próprio caos?

???

Somos caniços, os mais fracos da natureza. Qualquer sopro mais forte pode nos arrancar a vida, levar nossos sonhos embora, plantar melancolia nos corações de gente querida. Uma morte pode gerar milhões de reações em cadeia, assim como a abelha que colhe o pólem para fazer o mel colabora com a evolução das espécies, ou o passarinho que espalha sementes, que darão em árvores, cujos frutos alimentarão outros animais e insetos e mais uma maravilha de eventos em cadeia gerados por uma pequena e aparentemente insignificante atitude. A teoria do caos propõe que ''um simples bater de asas de uma borboleta pode gerar tufões no outro canto do planeta'', e podemos obter exemplos reais impressionantes se analisarmos a vida como uma bandeja de biscoitos caseiros. Porque as pessoas acreditam que o absurdo e o aleatório possuem uma razão? Pela expectativa de algo após a morte?





É difícil aceitar que a vida é apenas isso? Nós por nós?

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